December 8, 2009

faz tempo que ninguém famoso morre, né?

categoria: cotidiano., latinice.

Acho que ultimamente tá faltando chacina, criancinha morrendo, bala perdida, assassinato de famoso, enchente, sei lá.

Todo mundo só fala do tempo.

clube da luta versão são paulo fashion week

categoria: humorzinho.

Você não é as calorias que você tenta perder.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
[idéia de post descaradamente roubada do blog da Carol - de novo! - mas a versão dela é melhor, eu admito]

 

hora de voltar

Quem sabe as férias me tragam vida nova ao blog, não é mesmo?

Fato é que eu não lembrava o quão epiléticas podem ser essas caixas com números que você digita ao comentar. 

 

tem sempre aquela coisa:

categoria: hermética.

Manda ver, vem ver como as coisas funcionam daqui de dentro! Ou o clássico em inglês "try walking in my shoes!"

-o problema é só um lado se importar, se bem que, no pé em que estamos, quem se importa?

 

 

[acho que a Carol vai gostar desse.]

 

 

[ou não.]

estava tudo ali, mas passou.

categoria: hermética.

Andava desleixada. Não porque acreditava que isso iria fazer alguma diferença no contexto geral, mas por pura preguiça. Também não era, como já começariam a atormentar os p$icólogos de plantão - ou mesmo apenas os fofoqueiros - que era por baixa auto-estima [no segundo caso, eles diriam baixa-estima, se sentindo autoridades no assunto e falando muita merda]. Apesar que, no caso dela, até a mãe, pai, irmão, tia, vó, papagaio e o hamister pensassem isso, e com boas chances de acerto.

Na verdade, era por puro conforto, preguiça, cansaço. Não achava isso ruim, aliás, no momento de alívio que dá aquela sensação de missão-cumprida, quando tudo acaba, bem, tudo não, as obrigações apenas, essa sensação era tida como boa. Ao menos, para ela era boa. Não estava se arrumando, se alimentando ou dormindo direito porque havia algo errado acontecendo, mas simplesmente porque não precisava fazer isso. Não naquele momento.

Claro que isso não são coisas que se pare pra pensar. Quer dizer, se mal se pára pra pensar nos tais "tempos modernos", quiçá lembrar das coisas. Ver problema é fácil. Essa foi a sua conclusão dos últimos meses. Não que a achasse mirabolante, até porque, ela sempre estivera ali, espreitando e esperando uma brecha para aparecer e se fazer luminosa na consciência. É fácil ver problemas, assim como é fácil se deixar prender, se deixar levar.

São sinônimos, se pensar metafisicamente, ou, até, metaforicamente, prender, se largar, problematizar, encanar, qualquer que seja a palavra escolhida, ela sempre vai te levar a alguma coisa que não a tal liberdade, seja de pensamento, ação, vontades… Talvez ela nem exista mais, em certos níveis, e ela achava que realmente não existia mais. Enfim, é fácil estar lá na merda, porque, basicamente, já se está nela desde o princípio.

Não que o mundo seja horrível, e que tudo seja um monte de lixo. Como diria o falecido comediante-soco-na-cara George Carlin: "the planet is fine, the people are fucked".  A coisa funciona mais ou menos assim, pensava: o mundo está aí, em sua maravilhosa neutralidade com a qual você pode fazer, ou melhor, pensar das coisas que lhe acontecem o que quiser, só que, é óbvio, todo mundo faz disso um lixo sem tamanho.

Porque? Porque é mais fácil. Santo insight do mês, e talvez o melhor dos últimos tempos. Para uma pessoa de quinze anos recém iniciada nas leituras de Proudhon, era de se esperar que na primeira página as coisas já estivessem todas pensadas, re-pensadas, revolucionadas dentro daquela psique idiótica que começava a se salvar, mas não, demorou, porque sempre demora, e porque, quando é muito rápido, é de se duvidar que seja verdade.

As mentiras são rápidas, mas ela ainda não havia chegado nessa parte. Ela estava na fase de ‘vou jogar fora toda essa palhaçada de livros que eu tenho aqui e que não me servem pra merda e nenhuma e começar a ler coisas de verdade e ouvir músicas que dizem ser psicodélicas e usar várias drogas só porque eu posso’. Claro que isso não funcionou, porque, afinal, os fenômenos de massa são mais rápidos, sedutores, bonitos, e isso numa cabecinha oca de quinze anos é muito importante, especialmente se ela é gorda, baixinha e cheia de espinhas como a garota em questão, do tipo que vai sempre ser escolhida pra jogar no gol não porque é boa, mas porque preenche.

Evidentemente, a coisa revolucionária, anarquista, marxista e junkie durou pouco. Três anos e cinco piercings depois, ela viu Crepúsculo no cinema e ficou apaixonada pelo vampiro, e foi tudo pro saco. Tudo mesmo, livro, piercing, discos, baseado, comida… ah sim, porque a bulimia veio de brinde.

Quarenta anos depois, ela, depois de uma redução de estômago, plásticas mil e sendo capaz de ingerir apenas o conteúdo de um copinho de café daqueles de plástico que se tem em sala de espera, ela chegou a uma conclusão: a gente só tem liberdade pra viver de forma confortável. Talvez o pensamento tivesse se estendido para algo melhor, não fosse o fato de que o massagista do spa entrou na sala e começou a fazer seu trabalho.

ah, faz tempo.

categoria: hermética.

Mas afinal, ainda estamos, todos, vivos, respirando, correndo, sobrevivendo e subvertendo tudo o que há de possível.

Em que? Em qualquer coisa, desde que possa ser diferente do que se é agora.

 

- porque sempre há outra maneira.

November 5, 2009

ai, que preguiça!

Inacreditável.

Em pleno século vinteum, com o maravilhoso advento do msn, orkut, facebook, twitter e similares, o idiota me chega no orkut e pergunta - sendo que essa informação ESTÁ NO PERFIL!:

"oi, vc eh daonde?"

Duas coisas pra esse ser: vai xavecar mal a mãe, pra ver se ela cai, e acentua essa merda desse "É", inferno!

 

October 28, 2009

tô falando que a vida é concreta…

Daí você mora sozinha.

Coisa linda, independência, ninguém te fala nada - obviamente porque não há ninguém - você faz o que bem entender, e, uma das várias vantagens de não se morar mais com uma mãe maníaca por limpeza: você lava a louça e limpa a casa quando bem entender.

Ou não. Eventualmente, a sua casa faz isso por você. Como? Bom, primeiro, você está fazendo o seu jantar às dez da noite de miojo com requeijão. Aí você derruba o garfo cheio de requeijão no chão, e vai limpar. Aí você vai passar o produto lá two thousand que limpa em dez segundos aquela gordura toda, e você DERRUBA o vidro quase inteiro do que restava na casa. 

Bom, aí, já que tá ali no rolê, meu, molha um pano duma vez e dá uma passadinha rápida pela sua kitnet, que, por razões auto-explicativas, não é grande.

Pronto! Tá limpo, ou você espera que esteja. Afinal, como já diria o Neto [o sábio do post anterior]: "o importante não é limpar, é tornar invisível."

October 22, 2009

devo dizer que eu solidarizo.

"Pq?!!!???! Pq, meu deus, eu tenho que relatar tudo que eu faço praquela merda de Universidade???"*

A quantidade exorbitante de relatórios quase - QUASE - me faz ter saudade da época de provas.

 

 

*[fonte: frase do Neto, no msn]

October 21, 2009

já que,

Eu tinha entrado no submarino pra colocar o link do livro do Schopenhauer ali no post anterior, aproveitei pra ver o que aparece quando se clica em "Psicologia" - aquelas categorias de pesquisa dos sites, sabem?

Olha só, eu vou fazer um resumo estatístico, quem sabe até comentado, da primeira página -até porque eu me recuso a ver a segunda:

- 3 livros do Irvin D. Yalom.

- 3 livros do Augusto Cury

- Obras Completas de Sigmund Freud, pela editora Imago.

- edição comemorativa de 100 anos da "A interpretação dos Sonhos", do Freud.

- um dos milhares de livros da véia Elizabeth Kubler Ross sobre o luto.

Esses são os que eu conheço, da página, mas ao todo, faltaram uns quatro de autores desconhecidos. Eu acho que, se eu começar a dizer o quão linhadeprodução são os dois primeiros autores ali, eu acabarei ofendendo alguém.

A tradução da Imago das obras de Freud é um cocô, porque é a quarta tradução a partir do original - do alemão ao francês, dele ao espanhol, do último ao inglês, e daí para o português, que beleza!

A véia dispensa comentários; ela resumiu o luto em cinco fases, e você necessariamente está em uma delas quando você perde alguém, e elas são seqüenciais - pra ilustrar, tem esse vídeo aqui, que é excelente, diga-se de passagem.

No fim, se salva a edição dos 100 aninhos do texto que fundamenta todo o método psicanalítico.

Agora, o mais assustador de tudo isso é que alguns estudantes de psicologia, futuros p$icólogos, encaram isso como verdades incríveis e passam essas frases prontas para os atendimentos.

Ensino de qualidade, isso é Mackenzie!

 

 

metafísica do amor/metafísica da morte que se foda, eu vou é ver novela.

Esses dias vi um stand-up não-mainstream interessante. Uma das sacadas do cara era algo assim: "aí alguém vira pra você e diz ‘ah, esses dias eu tava vendo no orkut, só por curiosidade’… pô meu, é só isso que se faz hoje? ninguém vira pra você e diz ‘li um schopenhauer esses dias, só por curiosidade’."E é engraçado porque ninguém - que tenha orkut - está livre desse gostinho de voyeurismo socialmente aceito, ou, pelo menos, legitimado.

Então lá estava eu, vendo o perfil do meu namorado - nada como ter uma personalidade controladora há anos, não é? - e eis que me deparo com uma minazinha xís deixando um daqueles recados de mensagens de boa semana, boas energias, anjos, coração e clichês assim. Apesar de isso ser normal no perfil dele -locutor de rádio, brasil! - isso é comum, mas como a foto da mina era boa e a mensagem não era tão clichê - mas era, ainda assim - cliquei; só por curiosidade.

Antes de mais nada, quando eu entro num perfil, eu vejo fotos. Por que? Porque eu gosto de fotos, tenho um gostinho de ver o que as pessoas tentam imortalizar pelas lentes, e, é claro, como todo aspirante a fotógrafo, fico putaça da vida quando vejo aquelas fotos "euemeusmiguxosnumlocalxís" ou "familiahhh", "euhh", etc. Aliás, colocar H no final das palavras - quaisquer que sejam - é algo que me enerva. Enfim, lá fui eu ver as fotos da minazinha.

E não é que ela bloqueia parte das fotos para os não-amigos? Mas tá ok, fui ver o que me era permitido.  O único álbum visualizável era assim: duas fotos da sobrinha, uma foto dos pais e de uma pessoa xís, provavelmente vizinha, e - e agora fica emocionante - quatro fotos de fundos de tela do windows, com as seguintes legendas [duvido você clicar] inverno, flores, por do sol e céus azuis (sic) - JURO!!! - três fotos da Regina Duarte, uma do Richard Gere, uma do Marcos Palmeira, duas montanhas, uma com e outra sem neve, e, para finalizar com toda a classe, duas fotos da Hello Kitty.

Com isso à disposição, quem precisa ler A arte de Insultar?

August 19, 2009

vô, ele me disse que era uma coisa, mas ele não era nada daquilo.

categoria: hermética.

O que esperar de gente que faz propaganda, filha? - dizia Seu Eusébio, aos ointenta e nove anos de pura lucidez. - Não tô falando da faculdade não, filha. Tô falando de vida. Porque veja só, a gente não é muita coisa não quando falamos pros outros, aliás, somos muito mais do que pensamos que somos, mas muito, muito menos daquilo que dizemos ser.

Não faça essa cara de boba não, menina! Você entendeu o que eu disse. Na minha época a gente tinha mais decoro, mas não só com os outros, com a gente mesmo. Eu aprendi que mentir era algo ruim simplesmente porque você se engana mais do que aos outros. Só que hoje isso nem existe mais, quiçá responsabilidade pela consequência pros outros da sua mentira.

Esse monte de furo na orelha, esse cabelo todo pintado, essas tatuagens todas. Posso ser careta, como você diz, menina, mas olhe, isso aí tudo é uma grande propaganda enganosa. Assim como tudo que se diz na primeira pessoa. Sabe, filha, a gente é muito mais do que a gente pensa que é. Somos muito mais maus do que pensamos, mais desatentos, mais infiéis, mas também somos a mais nas nossas qualidades.

O problema foi o sujeito que inventou a falsa modéstia, se é que ela não é uma coisa do homem mesmo. Menina, se você soubesse como a vida é mais fácil quando você se esforça pra ser honesto. Depois de um certo tempo você se acostuma e pára de mentir, porque percebe que viver mentindo é mais difícil.

Veja você, olhe-se no espelho; essa porcaria dessa tatuagem escrito não sei que lá em inglês aí. Não sei te dizer daqui a quanto tempo, podem ser vinte minutos ou vinte anos, isso vai virar uma baboseira; e quando você estiver enrugada que nem eu, aí sim quero ver você ostentar esse lixo. A nossa pele é uma coisa muito mais íntegra do que a gente mesmo. Nossa pele é honesta desde que a gente nasce.

O calafrio de medo, de ansiedade, o frio na barriga, as dores, a coceira, o suor, tudo isso é mais verdadeiro do que qualquer palavra, filha. Teu corpo é muito mais esperto do que você pelo simples fato de que ele fica sempre em silêncio. Palavras são muito difíceis, e, a bem da verdade, cada um entende o que quer. Na minha idade, eu nem ligo mais se o que eu falar incomoda ou não porque, salvo hoje, com você aqui, eu nunca falo nada, exceto uns bons dias, boas tardes, boas noites. Tem que ser educado, é ou não é?

Parece que tá todo mundo atrasado em alguma coisa. Tudo é feito com muita pressa e tem que sair perfeito, como se isso fosse possível. Quando eu tinha a sua idade, eu já trabalhava e uma das primeiras coisas que aprendi na enfermaria era que a gente tinha que fazer o máximo que fosse possível naquele dia de trabalho. A segunda coisa foi que nenhum de nós lá ia salvar o mundo, mas que a gente podia ajudar muita gente. Hoje isso não acontece, porque tá todo mundo tentando se salvar, como se não houvesse mais o dia de amanhã. Todo mundo apressado, sem sair do lugar.

Por essas e outras, eu fico quietinho aqui nessa praça tomando sol todo dia, vendo o mundo passar e pensando cá comigo que, a essa altura da vida, posso morrer sossegado.

July 21, 2009

“o rei do inverno”, de bernard cornwell

-Não seja estúpido, Derfel - reagiu Merlin impaciente. - Os druidas não têm permissão de escrever nada, é contra as regras. Você sabe disso! Assim que você escreve alguma coisa ela se torna fixa. Vira dogma. As pessoas passam a discutir a respeito, ficam autoritárias, referem-se aos textos, produzem manuscritos, discutem mais e logo estão matando umas às outras. Se você nunca escreve nada, ninguém sabe exatamente o que disse, de modo que sempre pode mudar. Será que tenho que explicar tudo?

June 23, 2009

eu não gosto de passarinhos quando estou tentando dormir de manhã e eles ficam lá piando na minha janela.

categoria: raposa., hermética.

Grupos. Nunca fui de ficar muito tempo neles. Há quem precise deles pra viver, e há quem sinta muita falta de ter um grupo de amigos que se vêem com muita freqüência. E tem sorte aqueles que conseguem conviver intensamente sem [muitas] discussões.

Quanto a mim, eu passo. Francamente falando, eu sou uma pessoa oscilante. Isso signfica que eu preciso de coisas novas, porque as antigas enjoam. Não, não é que eu enjôo das pessoas, mas eu enjôo da rotina que se mantém com elas.

Na verdade, eu sempre tive muitos grupos. Nunca me vi tão sozinha quanto eu me pretendia, mesmo quando a minha intenção era, ao chegar num lugar novo, não manter muito contato com ninguém. Fato é que eles não permaneceram no tempo.

Nada permanece, porque eles haveriam de se manter? Acho que as pessoas se esforçam demais para imortalizar a si e àquilo que gostam, seus valores, essas coisas. Nada vai durar além da sua própria existência, gente.

Quer dizer, talvez o plástico.

 

June 22, 2009

posts curtinhos.

categoria: cotidiano.

Hai Kai cotidiano na cultura ocidental.

E eu resisto ao Twitter - aquela porra é um passarinho! Um PASSARINHO!

e foi aí que me ocorreu…

categoria: cotidiano.

"É assim! Nossa, como eu não tinha percebido isso antes?" - e então sosseguei.

sensação de morte iminente.

categoria: hermética.

Tem gente que vive assim.

 

May 28, 2009

inaugurando a série: “mamãe, o capitalismo roubou meu… paladar!”

categoria: humorzinho.

Na cantina, duas amigas resolvem pedir sucos naturais. A loira pede um de laranja, a ruiva pede um de maçã. Dado o primeiro gole, a ruiva reclama:

- Nossa, como é ruim esse suco! O de caixinha é muito melhor!

"Você nunca tinha tomado suco natural de maçã?" - pergunta a loira.

- Não, meu! Quem faz isso? É intragável.

A loira suspira e toma mais um gole da laranja.

May 13, 2009

observação antropológica de um idiota.

Vislumbre a criatura. Devagar, demoradamente, pare e contemple-a em seu habitat natural. Ali, onde se sente à vontade, é que ela se expressa pra valer. Perceba o andar desengonçado, a incoerência das pernas. Está lá, entre os outros tidos como iguais por classificação arbitrária. Note os pelos no rosto, suponha que seja um macho; nenhuma fêmea seria tão descuidada a ponto de estar ali suja. Se for macho, os pelos estão ralos ainda, na mesma medida que o cabelo.

Contemple seus hábitos alimentares: o cigarro é sua proteína, o café é sua heroína, e volta e meia tem algo borrachudo entre os dentes… cheira a queijo, mas será que tem o gosto? Hábitos, enfim. Veja-a em volta das fêmeas, como se sente tranquila, a criatura. Mãos, pés, tudo relaxado, menos, evidentemente, o órgao reprodutor. Rijo por sob as calças, tanto quanto os olhos da criatura no próximo alvo.

A criatura caça. À primeira vista, a fêmea sente a criatura como mais velha. Note como a criatura consegue se mostrar madura, note a vaga idéia pacífica que passa, que paz, sabedoria e sabor que pretende extrair de tudo, de modo a feromonizar seu diálogo, seu papo, seu pinto, é claro, em primeiro lugar.

Mas a criatura sabe jogar na conquista do coito, digo, da fêmea que deseja. Ela traz o ar de quem não mais é verde, fruta madura, fruta sedenta; mas aparenta fragilidade. Um olhar descuidado pode fazer com que você, observador, queira cuidar dessa criatura. Vai pensar nela como frágil, como indefesa. Vai pensar nela como alquém que precisa de você, que te quer bem. De fato te quer, bem de quatro. 

A criatura não cuida, não sabe, só sabe dizer um mundo de verdades. Serão verdades? Observe, você, que está de longe, como só saem discursos razoáveis. Sim, repletos de razão, insensatez jamais, apesar da criatura gostar de algumas apologias. Veja como ele tenta adocicar o cru[el], veja como a criatura mantém a consciência limpa sempre, através de um repertório de verdades que não podem ser contestadas.

Não porque sejam verdadeiras, mas porque o discurso fálico já aprisionou a fêmea e agora ela chupa a porra da razão. Em breve, engolirá a da criatura com gosto, e depois, será cuspida [a fêmea, não a porra] pela criatura num piscar de olhos.

Veja você, observador, como não age com movimentos pretensamente delicados. Veja você como isso te faz tão macho!

 

 

May 12, 2009

hoje.

categoria: hermética.

De que forma começar um post sem usar clichês? Eu poderia dizer que foi um dia cheio, um dia atípico, um dia daqueles… mas fato é que só porque estou escrevendo próximo do "fim do dia", isso não quer dizer que a impressão seja de agora. Acho que acordei com ela, ou ela acordou comigo. Acho que foi como se eu estivesse passando por muita coisa em espaços de microssegundos. "Muita informação", se quiserem, mas não foi exatamente muita, foi uma.

Mas mesmo antes dessa informação eu já estava com aquela coisa na pele, ou que fica atrás dos olhos, que só sai do esconderijo quando a gente está pensando em outra coisa, e quando nos damos conta que está ali, some de novo. Talvez fosse um pressentimento de que uma sensação forte estava para surgir. Mas também, pode não ser nada. Estava mais pra um sentimento de fragilidade, sem causa, apesar de que, se eu fosse esmiuçar a vida, eu poderia achar várias - mas todo mundo que procura acha, afinal; isso não significa nada. Seja o que for, estava ali e deu lugar, ou arrumou a sala para, outra coisa.

Só sei que eu recebi a informação. E ela me passou uma sensação diferente, mas ao mesmo tempo familiar. Familiar porque narcísica, diferente porque… porque alheia, porque nova, porque causou estranhamento. Vai saber. Mexeu com algo que estava quieto, isso é fato. O que estava quieto já é outro mistério, tanto quanto o motivo da diferença acima. Na verdade, a gente sempre sabe dos nossos mistérios, e o que sabemos é que não há nenhum: só existem coisas que preferimos deixar como desconhecidas, atribuir-lhes esse sentido, porque são dolorosamente verdadeiras, ou porque não conseguimos extrair felicidade do que elas têm a nos dizer.

Surgiu isso tudo aí. Sensação de ter sido um espaço, um intervalo, aquele tempo de cinco minutos sem qualquer contato com o material para que você possa recuperar a atenção quando voltar a ele. Sabem? Tipo isso, essa técnica para não perder o ritmo de produção. Me senti assim. Não porque quem fez isso de mim, se fez - já que é uma impressão subjetiva, nada há que se fazer senão manter no nível do incerto - fez por "mal" ou porque me "desmereceu". Essa é a parte narcísica já conhecida de longa data, se bem que não é de modo algum agradável sentir-se colocada na posição de objeto. Mas porque é como a nossa atenção ao material: quando passa o intervalo, você volta do ponto onde parou. Exatamente, arrisco eu, do ponto onde parou.

Não é triste, pensar que não se fez nada, que não se acrescentou nada, que não se construiu nada?

Mas talvez seja isso: não há sentido, só há o nada, esse nada cru e avassaladoramente real. Talvez as pessoas não se encontrem, eu poderia pensar, mas seria amargo demais: talvez aquelas duas pessoas - uma delas, eu - não tenham se encontrado; isso sim real, isso sim plausível. Por que? Eu não sei dar a resposta, talvez o Outro saiba. 

Ou não.

E será que eu quero saber? 


Bea Rodrigues_______________

Segundo um amigo, eu pareço o Charlie Brown tentando soar sério. Mas eu gosto mais do Woodstock.

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