December 13, 2011
Até mesmo o blogsome vai acabar - mudem para http://quarentaetresporesdesol.wordpress.com que o mau humor, humorzinho e qualquer outra coisa que me venha à mente continua por lá.
November 23, 2011
Estou pronta para deixá-los livres.
Todos os três.
Vira e mexe eu perco o sono. Os pensamentos correm soltos.
Geralmente é quando estou feliz, ou planejando algo - quando isso acontece e eu estou triste, eu não chamo de insônia, mas de inferno.
São muitas coisas na cabeça. As mudanças todas que estão acontecendo e que vão acontecer, as expectativas, a cor do meu cabelo, o meu banheiro que precisa ser limpo, a quantidade de backups que eu tenho que fazer no trabalho, a minha cortina úmida porque deixei a janela aberta e choveu, a depilação que precisa necessariamente acontecer no sábado ou estou arruinada, meus bichos de pelúcia, a saudade gostosa dele, a fome que eu estou começando a sentir agora e o chocolate na minha mochila, a sensação de que minha casa continua lotada de coisas, a sensação de que eu tenho que mandar mais coisas velhas embora, músicas que eu não consigo parar de ouvir, desenhos e rabiscos no meu caderno, fotos, referências, cheiros, pessoas que nunca acabaram, pessoas que tinham acabado antes mesmo de começar, amigos, quem será o novo assistente no estúdio, as coisas que preciso mudar em mim, tudo isso gira e volta na minha mente, mas ao mesmo tempo, como uma breve pausa, mas cheia de barulho.
Um barulho bom, no fim de tudo.
Depois que você percebe que a mudança é algo contínuo, e não um objetivo a ser alcançado com começo-meio-fim, você percebe que está, no fundo, tudo bem.
Mesmo que eu não consiga ser quem eu quero ser o tempo todo, a temperatura continua mudando lá fora, o meu cabelo cresce, os metrôs e trens e ônibus enchem e esvaziam, as ruas esburacam e são recapeadas, os mackenzistas entram e se formam, a maria antonia dorme e acorda.
E as horas? Bom… não me resta nada a não ser confiar nelas: foram elas que me trouxeram até aqui.
November 21, 2011
Gargalhadas, daquelas que o estômago dói, que você chora e perde o ar, são raras. Só algumas pessoas são capazes de me fazer rir desse jeito, e no último um mês e meio eu tive o prazer de rir freneticamente quase todos os dias proletários da semana.
Hoje o meu sorriso pediu demissão, mas está tudo bem.
O futuro é sempre melhor.
[vai que vai, Valentino]
November 16, 2011
Talvez eu não admitisse isso se não fosse tão sincero, mas eu acho que eu ficaria sob aquela capa de chuva por muito, muito tempo, caso a vida não se impusesse sobre mim e eventualmente os garis começassem a me mandar embora porque já é hora de fechar o parque depois do fim do festival.
Mas por mim, eu ficaria embaixo da capa amarela na chuva até que minhas pernas cansassem e eu precisasse deitar naquela grama/lama que parecia tanto como um jardim da casa de um sonho qualquer.
[e olha que eu odeio mato, hein]
perderam o brilho para mim.
November 15, 2011
Tive um relance dela mais uma vez.
Dela e dele.
Ela nele e vice-versa, só que não.
Permaneço aqui, de longe, e os observo, zumbis entre tantos outros.
Suas cores já não saltam mais aos meus olhos.
Às vezes acho que meu estado natural é esse aqui.
Essa forma decadente, ronronando entre trapos e atritos e cacos de vidro, gotas de sangue e pedaços de útero, em camas desarrumadas com o meu cheiro, entre bichos de pelúcia sujos e restos de chocolate, tênis cheios de lama, muita lama, cabelo ensebado e roupas sujas.
Às vezes eu acho que realmente é esse meu estado de graça, até que o vento abre um pouco da cortina e eu vejo o mundo lá fora - e mudo de idéia.
November 14, 2011
Meus bolsos cheios de sal. Minha garganta estéril como terra marrom. Árida.
Há algum tempo não tenho muito o que dizer.
Me recuso a passar a mão na sua cabeça que já deveria saber o que fazer a essa altura. Dizem que é verdade, que quando não há mais nada a queimar, é hora de atear fogo em si mesmo. Mesma, no caso.
Está de parabéns.
Mas não lhe dirijo a palavra sobre esse assunto. Faço checagens periódicas nas suas auto-afirmações frágeis. Ela não percebe como a sua voz perde a firmeza e suas mãos se agitam e os seus olhos piscam mais do que o normal quando ela as diz em voz alta.
[em voz baixinha, pra dentro, a gente é seguro de qualquer coisa]
Então eu fico aqui, com minha garganta árida, sem ter muito o que dizer.
Piso em ovos com as minhas galinhas,
e espero.
[um dia você cresce.]
October 31, 2011
Parada nas escadas circulares, ela encara as sombras dos degraus. São sempre dois andares que se desce ou que se sobe nestas escadas, mas hoje ela está esperando.
Não há nada
além do silêncio
interrompido
brevemente
pelo motor dos elevadores
que sobem e
descem
sem cessar.
[Ela espera pois é só o que imagina poder fazer diante da constatação de que saberia lidar melhor com a partida dele do que com a sua permanência - que ela tanto quer]
October 18, 2011
Tem alguma coisa estranha que me liga ao Dylan, ao Johnny Cash, ao Harrison - aos Beatles também, claro, a essa época toda aí. Mais ao Dylan.
É brega, mas eu nunca senti algo do gênero: a música não diz sobre o seu passado, ou só sobre quem você já foi, ela aponta direções, elas dizem "olhe pra isso que está aqui agora, você pode ser isso, você já é isso, mas repare: logo ali à frente há muito mais…"
Talvez seja isso que me faça acordar todos os dias de manhã.
O fato de que alguém, em algum lugar no tempo e no espaço, entendeu porque eu não consigo parar de dormir.
October 9, 2011
- Por que eu não quero te ver hoje?
(- respira fundo e pausa, mal humorada - )
- Basicamente, porque se eu te vir hoje, assim como qualquer pessoa, eu vou te maltratar, já que eu vou assumir que é culpa de QUALQUER SER VIVENTE o meu cabelo estar uma bosta, as minhas tetas estarem doendo, a minha barriga estar inchada, o meu humor estar MUITO ruim, o show da minha banda ter atrasado, a merda da casa do meu pai não ter UMA PORRA DE UM CHOCOLATE, não ter mais ônibus pra são paulo, vulgo MINHA CASA, depois das dez e meia da noite nessa cidade DE MERDA, eu estar ouvindo MISS ELLIOTT pra tentar me animar e, evidentemente, só ficando mais irritada ainda e, pra coroar, eu nem sequer CONSIGO sair desse dia DE BOSTA onde a única coisa que deu certo foi o TRABALHO - no sábado!!! - porque a minha TPM ME DÁ INSÔNIA.
( - ele não comenta nada do outro lado da linha - )
- Entendeu?
"Pô, mas venha aqui do mesmo jeito…"
( - ela derrete - )
October 5, 2011
De repente, a vida ficou cheia.
Cheia de horários, de projetos, de pessoas, de cores, de sons… me falta tempo.
Mas talvez o tempo não me faça tanta falta assim.
September 16, 2011
Tudo é muito mais bonito quando é inevitável.
"Damaged people are dangerous - they know they can survive."
September 14, 2011
Agora as coisas parecem mais nítidas. Elas estão acontecendo.
Não foram alucinações ou sonhos ou invenções ou vontades ou fantasias ou qualquer coisa do gênero. Elas estão acontecendo efetivamente.
O gosto amargo no fundo da minha boca já diminuiu tanto, mas quando eu fico longe do açúcar por algum tempo - e noto que esse tempo de tolerância minha à ausência diminui cada vez mais - o amargo volta, aos poucos. Insinua-se em minha memória com todas aquelas mentiras, toda aquela sujeira, não mais como um passado entalado na garganta, mas como uma ameaça de que tudo aquilo [a dor, a carne rasgada entregue às moscas, a sujeira] pode acontecer de novo.
É nesse exato momento em que a minha pele diz: corre. Corre rápido. Corre fundo e pra longe sem deixar rastros. Agora. Corre agora. E eu escutei tudo isso e sempre corri.
Até que não consegui correr. [Ele se aproximou como um gato, sabem? Quando eu vi era tarde demais e já estava aqui.]
Agora as coisas estão acontecendo e eu não estraguei tudo e permaneço no mesmo lugar, mas isso envolve eu ter que me lembrar todos os dias de não sair correndo e sufocar isso que há de negro ainda por aqui: a sombra. Meu coração é verde e roxo, eu acho, mas a sombra dele continua escura e quando ele fica mais roxo que verde, ela volta forte.
[Kiss me in the shadow of a doubt]
"Venha para a minha janela", ele disse.
Obedeci.
September 12, 2011
A Duda tem razão.
Não é uma questão de escolher entre ficar ou voltar.
É que depois que se passa tanto tempo fora da sua vida você se torna capaz de perceber como a sua vida poderia ser totalmente diferente, em qualquer outro lugar.
Essa sensação, de que se pode sempre começar de novo e ser feliz - é ir embora dela que dói.
September 4, 2011
Não faço ideia de quando foi a última vez que senti isso que eu estou sentindo exatamente agora.
Viajar é um lance muito inexplicável: as coisas que você conhece e pelas quais deixa um rastro curto ou não-tão-longo, as coisas que deixam um rastro em você… e a volta.
A saudade do que fica e do que te espera de volta.
Espera, não é?
Acho que sim. Uma janela de grades-livres, pele de veludo e cheiro de gusta.
[mi gusta]
September 3, 2011
Às vezes é como uma implosão silenciosa. Tudo que estava dentro foi desintegrado: dói, essencialmente; dói muito, mas não há o que fazer.
É uma morte lenta e arrastada e desgastada, não como um coma no qual você simplesmente desaparece, mas como um câncer que se espalha devagar e então consome a última célula.
Morreu.
Não sobrou nada.
E de modo geral, parece que as horas - aquelas que você vai ter que enfrentar com essa dor - não vão acabar nunca.
Como agora.
[maldita hora que eu dormi a tarde; eu poderia estar dormindo agora]
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