hoje.
De que forma começar um post sem usar clichês? Eu poderia dizer que foi um dia cheio, um dia atípico, um dia daqueles… mas fato é que só porque estou escrevendo próximo do "fim do dia", isso não quer dizer que a impressão seja de agora. Acho que acordei com ela, ou ela acordou comigo. Acho que foi como se eu estivesse passando por muita coisa em espaços de microssegundos. "Muita informação", se quiserem, mas não foi exatamente muita, foi uma.
Mas mesmo antes dessa informação eu já estava com aquela coisa na pele, ou que fica atrás dos olhos, que só sai do esconderijo quando a gente está pensando em outra coisa, e quando nos damos conta que está ali, some de novo. Talvez fosse um pressentimento de que uma sensação forte estava para surgir. Mas também, pode não ser nada. Estava mais pra um sentimento de fragilidade, sem causa, apesar de que, se eu fosse esmiuçar a vida, eu poderia achar várias - mas todo mundo que procura acha, afinal; isso não significa nada. Seja o que for, estava ali e deu lugar, ou arrumou a sala para, outra coisa.
Só sei que eu recebi a informação. E ela me passou uma sensação diferente, mas ao mesmo tempo familiar. Familiar porque narcísica, diferente porque… porque alheia, porque nova, porque causou estranhamento. Vai saber. Mexeu com algo que estava quieto, isso é fato. O que estava quieto já é outro mistério, tanto quanto o motivo da diferença acima. Na verdade, a gente sempre sabe dos nossos mistérios, e o que sabemos é que não há nenhum: só existem coisas que preferimos deixar como desconhecidas, atribuir-lhes esse sentido, porque são dolorosamente verdadeiras, ou porque não conseguimos extrair felicidade do que elas têm a nos dizer.
Surgiu isso tudo aí. Sensação de ter sido um espaço, um intervalo, aquele tempo de cinco minutos sem qualquer contato com o material para que você possa recuperar a atenção quando voltar a ele. Sabem? Tipo isso, essa técnica para não perder o ritmo de produção. Me senti assim. Não porque quem fez isso de mim, se fez - já que é uma impressão subjetiva, nada há que se fazer senão manter no nível do incerto - fez por "mal" ou porque me "desmereceu". Essa é a parte narcísica já conhecida de longa data, se bem que não é de modo algum agradável sentir-se colocada na posição de objeto. Mas porque é como a nossa atenção ao material: quando passa o intervalo, você volta do ponto onde parou. Exatamente, arrisco eu, do ponto onde parou.
Não é triste, pensar que não se fez nada, que não se acrescentou nada, que não se construiu nada?
Mas talvez seja isso: não há sentido, só há o nada, esse nada cru e avassaladoramente real. Talvez as pessoas não se encontrem, eu poderia pensar, mas seria amargo demais: talvez aquelas duas pessoas - uma delas, eu - não tenham se encontrado; isso sim real, isso sim plausível. Por que? Eu não sei dar a resposta, talvez o Outro saiba.
Ou não.
E será que eu quero saber?


li esse post pela segunda vez agora e acho que entendi ainda menos do que da primeira vez. ê, laiá.
Comment by carol — June 3, 2009 @ 3:41 am
eu, em contra partida, entendi visceralmente.
Comment by .lp. — June 15, 2009 @ 3:55 pm