observação antropológica de um idiota.
Vislumbre a criatura. Devagar, demoradamente, pare e contemple-a em seu habitat natural. Ali, onde se sente à vontade, é que ela se expressa pra valer. Perceba o andar desengonçado, a incoerência das pernas. Está lá, entre os outros tidos como iguais por classificação arbitrária. Note os pelos no rosto, suponha que seja um macho; nenhuma fêmea seria tão descuidada a ponto de estar ali suja. Se for macho, os pelos estão ralos ainda, na mesma medida que o cabelo.
Contemple seus hábitos alimentares: o cigarro é sua proteína, o café é sua heroína, e volta e meia tem algo borrachudo entre os dentes… cheira a queijo, mas será que tem o gosto? Hábitos, enfim. Veja-a em volta das fêmeas, como se sente tranquila, a criatura. Mãos, pés, tudo relaxado, menos, evidentemente, o órgao reprodutor. Rijo por sob as calças, tanto quanto os olhos da criatura no próximo alvo.
A criatura caça. À primeira vista, a fêmea sente a criatura como mais velha. Note como a criatura consegue se mostrar madura, note a vaga idéia pacífica que passa, que paz, sabedoria e sabor que pretende extrair de tudo, de modo a feromonizar seu diálogo, seu papo, seu pinto, é claro, em primeiro lugar.
Mas a criatura sabe jogar na conquista do coito, digo, da fêmea que deseja. Ela traz o ar de quem não mais é verde, fruta madura, fruta sedenta; mas aparenta fragilidade. Um olhar descuidado pode fazer com que você, observador, queira cuidar dessa criatura. Vai pensar nela como frágil, como indefesa. Vai pensar nela como alquém que precisa de você, que te quer bem. De fato te quer, bem de quatro.
A criatura não cuida, não sabe, só sabe dizer um mundo de verdades. Serão verdades? Observe, você, que está de longe, como só saem discursos razoáveis. Sim, repletos de razão, insensatez jamais, apesar da criatura gostar de algumas apologias. Veja como ele tenta adocicar o cru[el], veja como a criatura mantém a consciência limpa sempre, através de um repertório de verdades que não podem ser contestadas.
Não porque sejam verdadeiras, mas porque o discurso fálico já aprisionou a fêmea e agora ela chupa a porra da razão. Em breve, engolirá a da criatura com gosto, e depois, será cuspida [a fêmea, não a porra] pela criatura num piscar de olhos.
Veja você, observador, como não age com movimentos pretensamente delicados. Veja você como isso te faz tão macho!


uia.. esse seu homem prototípico e sua mulher vítima…hmmm apesar de humorzinho e ironias e tal… parece meio raivoso …
Comment by Daniel — May 14, 2009 @ 12:24 am
concordo com o comentário acima. não que eu acredite na imparcialidade da ciência…
Comment by carol — May 15, 2009 @ 7:14 pm
não seja assim tão vítima.
idiota tem em toda parte e observá-los já deixou de ser saudável.
Comment by .lp. — June 15, 2009 @ 3:53 pm
Observe Bourdieu, Foucault, e tavez chegue à conclusão de que a relação homem/mulher não é dicotomizada assim.Não mesmo.
Comment by Lucil Jr. — July 7, 2009 @ 9:08 pm